quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Qualquer um escreve um livro....

Esta deve ser uma das frases que mais ouço no meu dia-a-dia.
Dito num tom crítico, jocoso, de desprezo. Há sempre uma voz (sabe-se lá quem é que a encarregou dessa tarefa) que se levanta do alto da sua sabedoria para defender o bom nome do livro.
Qualquer um escreve um livro!
E então?
Eu trabalho todos os dias com livros. Sou, o que se chama, uma editora.
Adoro livros! Mas aqueles livros que se lêem, que se sublinham, que se dobram as páginas, se rasgam, se emprestam porque de tão bons que são têm de ser partilhados, que ficam marcados pelas lágrimas ou pelas gargalhadas, que andam aos trambolhões na mala, entre a garrafa de água e os gormitis dos filhos, que se lêem numa noite ou que têm de ser mastigados ao longo de semanas....  
O livro é um objecto de culto? Sim
O livro é um objecto de cultura?  Sim
O livro é um objecto de prazer? Absolutamente!
E se para uns é o prémio Nobel, o número um da lista do New York Times ou do top da Fnac, para outros pode ser o livro da rapariga de coxa grossa que acaba de sair de um qualquer reality show.
Qualquer um escreve um livro. Ainda bem.

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